Amiga virou cacoete de linguagem no falar brasileiro (A influência da televisão na língua e no comportamento – II)

Há alguns anos, algumas novelas brasileiras começaram a usar a expressão amiga nos diálogos entre mulheres, como substituto do nome.

— Ei, amiga! Você viu como a Fulana tá mal vestida hoje?

— Amiga, tu tá um tesão com essa saia vermelha, bah! (esta poderia ser extraída de alguma telenovela gaúcha, se houvesse alguma).

Será que vai pegar?”, pensei, quando a onda começou.

Não chegaria ao exagero de dizer que esteja largamente difundida, mas realmente pegou, pois tem uso frequente nas conversas populares.

Mas sempre me soa teatral, artificial, talvez porque eu a associe sempre à influência televisiva.

Os meios de comunicação de massa alteram costumes e aproximam povos; e a televisão é o veículo campeão pois, ao agregar a imagem, cria a sensação de proximidade que nenhuma literatura substitui, por mais criativo que seja o escritor.

Como todo fenômeno linguístico, em algum dia do futuro o uso de amiga como substituto do nome vai mudar: ou desaparece, provando que não passava de modismo, ou é incorporado e o que desaparece é esta sensação de artificialismo, de teatralismo.

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