Cesar Cielo não estava dopado; foi vítima da legislação e de um equívoco sobre a palavra doping

Informa a Folha de São Paulo de 21/07/11 que “recordista mundial dos 50 m e 100 m livre, o brasileiro Cesar Cielo ‘foi absolvido’ nesta quinta-feira pelo CAS (Corte Arbitral do Esporte) por ter sido pego no exame antidoping pelo uso da substância furosemida”.

Críticos e moralistas exagerados se uniram até a adversários de piscina do único medalhista olímpico brasileiro masculino de 2008 (em esportes individuais) para encher reportagens e blogs com acusações de protecionismo, impunidade e pizza.

A inevitável pergunta “vilão ou vítima?” já aparece na internet.

Uma dúvida injusta pois, na verdade, Cielo é vítima da legislação do uso de medicamentos em competições esportivas e, principalmente, do uso errado e preconceituoso da palavra doping.

Com relação à legislação, a dificuldade é que os organismos internacionais de controle ainda estão confusos com a profusão de novos medicamentos e de novas técnicas de detecção, e vão mudando os regulamentos seguida e desordenadamente.

A furosemida, substância encontrada no exame antidoping de Cielo e, anteriormente, de Daiane dos Santos, é um diurético antigo que jamais teve comprovado qualquer efeito estimulante.

Mas o prejuízo maior advém do uso da palavra doping pela mídia.

No final dos anos 80, as entidades de controle esportivo — inclusive das corridas de cavalos, minha especialidade —, face à citada profusão de novos medicamentos e de novas técnicas de detecção, decidiram abolir esta palavra e passaram a usar a expressão adequada: medicação proibida.

Em sua acepção original, dopar é estimular, é produzir vantagem artificial.

E o citado exame antidoping é, de fato, uma pesquisa de substâncias de caráter farmacológico.

A mídia não aderiu, e assim agiu por motivos meramente comerciais: doping causa mais impacto, sugere escândalo e crime, atrai mais leitores e espectadores.

Injusta e exagerada foi a punição dos companheiros de Cielo, como informa a mesma Folha: “Nicholas Santos e Henrique Barbosa, que também testaram positivo para a substância furosemida durante o Troféu Maria Lenk, também foram apenas advertidos pelo CAS. Já Vinícius Waked, que é reincidente em caso de doping, foi suspenso por um ano.

No entanto, Henrique Barbosa e Nicholas Santos estão fora do Mundial. Como foram flagrados em exame antidoping em maio durante o Troféu Maria Lenk, os dois foram advertidos pela CBDA e perderam todos os resultados da competição nacional”.

Não houve protecionismo a César Cielo em relação aos companheiros: sobre estes pesaram antecedentes correlatos, como acontece em qualquer julgamento justo, que segue normas de agravamento ou atenuação de pena.

Mas todos sofreram uma consequência bem mais grave que a falha cometida.

Para acesso ao inteiro teor do texto, CliqueAqui.

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