A cientista política Maria Celina D’Araújo faz ótima análise sobre a demissão do ministro Nelson Jobim, da Defesa

A cientista política Maria Celina D’Araújo tem uma qualidade rara nos meios acadêmicos: está sempre disposta a uma aproximação com um público externo e mais amplo.

A aproximação começa pelo estilo de escrever; prefere textos claros e objetivos, quando destinados à grande mídia.

E também lúcidos e bem construídos, como a análise da demissão de Nelson Jobim do Ministério da Defesa, através de um artigo publicado n’O Estado de São Paulo de 07/08/11, sob o título “Demissão anunciada”.

Nele, afirma que: “Jobim não era ‘gente de Lula’, muito menos de Dilma […] Ele foi de fato o primeiro ministro da Defesa de Lula. Lá chegou porque tem autoridade e conhecimento jurídico para lidar com a questão militar. Lula queria evitar a repetição das desastrosas experiências dos antecessores, muitas vezes desautorizados pelos subordinados e pelo próprio presidente.

Maria Celina também afirma que os militares continuaram se autorregulando mesmo após o final do mandato do último general-presidente, e que quatro episódios do governo Lula mostraram isso de forma clara:

1º) “A demissão do ministro José Viegas em 2004, devido às reações militares contrárias à abertura dos arquivos da ditadura. À revelia de seu superior, o comandante do Exército lançou manifesto defendendo o golpe de 1964 e a ação repressiva da Forças Armadas. Lula não quis se indispor com os quartéis e não considerou a possibilidade de demitir o comandante. Desautorizado em sua função, Viegas saiu da pasta.”.

2º) “O segundo se deu em duas tragédias aéreas: os acidentes com o avião da Gol em setembro de 2006 e com o da TAM em julho de 2007, em meio ao movimento salarial dos controladores de voo. Nessas negociações, o então ministro da Defesa, Valdir Pires, foi o grande ausente. O assunto ficou restrito ao manejo do comandante militar.”.

3º) “O terceiro caso ocorreu em 2008 quando o então ministro da Justiça, Tarso Genro, anunciou ser favorável à revisão da Lei de Anistia. A declaração provocou intensa reação de oficiais da reserva e da ativa, entre eles o comandante militar do Leste e o chefe do Departamento de Ensino e Pesquisa do Exército. Lula proibiu seus ministros de voltarem a tocar no assunto, e o ministro da Defesa, já então Jobim, garantiu que não haveria sanções para os indisciplinados.”.

4º) “O quarto ocorreu quando o governo anunciou o 3º Plano Nacional de Direitos Humanos, em dezembro de 2009. Os três comandantes militares reagiram contrariamente às cláusulas que propunham rever abusos contra os direitos humanos durante a ditadura e colocaram seus cargos à disposição. O Plano foi revisado em maio de 2010, para incorporar as demandas militares.”.

A autora fecha o texto com uma discussão sobre a importância atual do sistema militar:

Forças Armadas custam muito caro em todos os países e também entre nós. Representam o terceiro orçamento ministerial, depois da Saúde e da Educação. Apesar disso, estão sucateadas. É preciso discutir mais e melhor como maximizar esses recursos. Que defesa queremos e precisamos para proteger o povo e o Estado brasileiros. Esse assunto nunca mobilizou os partidos, nunca deu votos. O Congresso nunca se interessou por isso. O Ministério não foi disputado no início do governo, podia esperar substituto. Só que ali há balas e canhões que nem sempre foram bem utilizados. E há os que ali querem bomba atômica. Não deve por isso ser um espaço a serviço de ideologias toscas.”.

Para acesso ao inteiro teor do texto, CliqueAqui.

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