Enganar os candidatos a empregos, crime que atravessa décadas no Brasil

Na transição entre a adolescência e a juventude passei por uma fase de indefinição profissional.

Estava desempregado e tinha paralisado os estudos no início do segundo grau, mas precisava trabalhar pois a família não passava de classe média baixa e, felizmente, jamais tive vocação para vagabundo.

Comecei a procurar pelo óbvio: anúncios classificados de jornal.

Encontrei um supostamente interessante na edição dominical, e no dia seguinte compareci ao local indicado, situado bem no centrão de Belo Horizonte, capital mineira.

Um funcionário-instrutor apresentou a proposta ao grupo de candidatos: venda de carnês de um plano de assistência, provavelmente alguma variação de previdência privada.

Só no final do segundo ou terceiro dia é que encaminhou sua exigência: o teste para a escolha dos contratados seria a venda de pelo menos um carnê.

Ainda iludido, contei em casa a proposta.

Mais adiante, provavelmente no final daquela semana, minha mãe me contou que havia se decidido a comprar um carnê para me ajudar a conseguir o emprego, mas logo depois da decisão leu uma matéria de jornal que informava sobre a existência daquele formato de golpe.

Escapei por pouco, muito pouco mesmo.

Neste hiato de três décadas e meia parece que pouca coisa mudou: casos semelhantes são periódicos e o mais recente foi a prisão de cinco pessoas que estavam executando o golpe também no mesmo centrão de Belo Horizonte.

De acordo com uma matéria levada ao ar num telejornalístico da TV Globo, “a polícia chegou até os suspeitos após a denúncia de oito vítimas do golpe, configurado como tentativa de estelionato. Segundo a Polícia Militar (PM), os suspeitos de participar do esquema já teriam praticado outros crimes e foram conduzidos à delegacia. ‘Quase todos eles têm passagem pela polícia por estelionato e até mesmo por roubo a mão armada’, informou a tenente Cristina de Morais Pereira.

Ainda de acordo com a polícia, para conseguir as vagas de emprego anunciadas em jornais, os interessados deveriam vender cartões de benefício.

Uma mulher, que preferiu não se identificar, disse que foi vítima do golpe. ‘O anúncio do jornal dizia assim, que você pode ganhar entre R$ 2,5 mil mais ou menos, até R$ 3 mil’. Segundo ela, os cartões que os candidatos eram obrigados a vender davam direito, supostamente, à prestação de serviços gratuitos e convênios com clínicas e academias de Belo Horizonte, Itabirito, Betim e João Monlevade. ‘Essas pessoas, para conquistar esses salários, vendiam para familiares, por valores entre R$ 200 e R$ 300, ou mesmo compravam, para passar pelas etapas. Entretanto, no final, não existia esse emprego’, completa a tenente Cristina.”

Parafraseando Lavoisier, nada se cria, tudo se copia…

Trinta e seis anos se passaram e só variaram detalhes e personagens; o formato foi o mesmo.

Em comum, ainda, a ineficiência do Poder Público, que em países mais evoluídos inibe os criminosos com o seu tacão, com a certeza da dura punição.

Para acesso ao inteiro teor do texto, CliqueAqui.

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