O brasileiro se diferenciou da matriz portuguesa no relacionamento interpessoal

Para os críticos mais duros e mais ácidos, na face oeste da Península Ibérica está a raiz de nossos problemas: de lá herdamos a falta de capacidade organizativa da sociedade, a dependência do papel paternalista do Estado e o desprezo pela formação técnica dos indivíduos.

Mas nem só de semelhanças se estabelece uma comparação entre brasileiros e portugueses: ao comportamento mais rude, exigente e desconfiado daqueles europeus se contrapõe a afabilidade que existe do outro lado e ao Sul do Atlântico.

Provavelmente por consequência do clima tropical e também das múltiplas influências de correntes migratórias.

Em recente viagem a Portugal tive oportunidade de observar um ilustrativo exemplo desta diversidade.

Comentei com o guia português (o grupo era exclusivo de turistas brasileiros) sobre um caso de um turista, também brasileiro, que teve passaporte e dinheiro furtados num ponto de grande visitação, a Capela dos Ossos, em Évora.

A resposta se parecia mais com uma acusação direta e pessoal:

— Os senhores são muito ingênuos. Sempre se alegram quando encontram algum patrício, ou então dão atenção para qualquer pessoa que se aproxima. Não percebem que os aproveitadores sabem levar a conversa de forma a ganhar a confiança. Nós, portugueses, não damos oportunidade para os desconhecidos.

Mas, apesar da forma de falar, do uso da segunda pessoa verbal, ele certamente não estava se referindo a mim, pois não tinha motivos para tal; estava se referindo aos meus conterrâneos e não se importava em me incluir na crítica, não se sentia mal-educado ao usar uma expressão tão direta.

Um brasileiro teria agido de forma completamente diversa: quando quer reclamar de alguém, evita o confronto direto e prefere os comentários genéricos.

Ou, então, reclama com todo o grupo, sem individualizar ou apontar o seu alvo.

É gritante a diferença de comportamento: o português é capaz de partir para um confronto até quando o motivo é de pouca importância; o brasileiro foge do confronto mesmo quando tem motivos suficientes para agir com dureza.

Mas esta diferença não se restringe à matriz ibérica; a globalização está ensinando que o comportamento público dos brasileiros é bem diferente de europeus, asiáticos, norte-americanos; só é razoavelmente semelhante aos demais povos sul-americanos.

E comprovando que a afabilidade social é rara na maior parte da superfície habitada do planeta; frieza e formalidade são os valores dominantes no trato entre pessoas de diferentes povos, e até entre os membros de uma mesma sociedade.

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