Camelô: é o que sobra para os jovens mal estimulados pela família e pela escola

A praça Duque de Caxias é o centro comercial e social do tradicional bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais.

A 30 metros dela, pela rua Mármore, fica o principal supermercado da região, o Topázio.

Encostados na parede externa do supermercado e das casas vizinhas trabalham quatro camelôs, separados por 5, 10 ou 15 metros de distância uns dos outros, todos vendendo o mesmo produto: DVDs piratas de filmes.

Três jovens na faixa de 20 anos, uma mulher na faixa de 30.

A observação foi feita no dia 03 de maio de 2009, um domingo, 10 horas da manhã: fiz também uma fotografia para ilustrar o flagrante, mas no momento ela está perdida nalgum cartão de memória.

O investimento é praticamente nenhum: a banca é uma armação grosseira de compensado ou aglomerado de madeira, os DVDs são do fornecedor-falsificador.

Um exemplo da mão de obra não qualificada que segue se formando à margem da sociedade.

Um exército, uma multidão espalhada por todo o território brasileiro.

Um grupo socioeconômico que, com características semelhantes, sempre integrou a história deste país, sempre viveu e sofreu, mais sofreu do que viveu.

Para surpresa dos otimistas do passado, pelo menos daqueles que ainda estão vivos, a tecnologia não reduziu esta parcela da população.

(Nem em percentuais nem em número; neste certamente aumentou.)

Pelo contrário, é a causa de seu aumento: à redução da mortalidade infantil se somou a maior fecundidade do grupo dos pobres-sem-estudo.

E os otimistas do presentes substituem os otimistas do passado na expectativa de que novas tecnologias — ou os milagres da ciência — ainda serão capazes de resolver o problema e criar um mundo melhor.

Não consigo trocar boas ideias com eles, pois tenho convicção de que a formação cultural das pessoas só é definida pelo arcabouço moral e ético do grupo em seu redor.

Em outras — e mais diretas — palavras: nossos sucessores e descendentes, no Brasil e nos demais países com desorganização cultural, vão continuar enfrentando a desigualdade social, a violência, os vícios e os distúrbios psíquicos.

Não é saudável ser pessimista!

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