Nos assaltos é comum a participação de amigos e conhecidos das vítimas

Infelizmente, nesta terra violenta, somos frequentemente abalroados por algum crime terrível que cai na mídia e assombra a sociedade por alguns dias. Até ser esquecido ou substituído por outro igualmente terrível.

O evento criminoso que atingiu esta escala no início de dezembro de 2006 foi o assassinato de uma família em Bragança Paulista. Um casal e o filho de cinco anos foram mortos por dois criminosos, que os sequestraram para roubar 20 mil reais da loja comercial de propriedade de Eliane, uma das vítimas.

Neste caso, me chamou a atenção algo que tenho observado com freqüência em crimes como assalto e sequestro: a participação de pessoas ligadas às vítimas. É tão comum que a Polícia geralmente começa a investigação pelos parentes, amigos e companheiros de trabalho. Às vezes se precipita com acusações injustas, mas com decepcionante frequência chega ao criminoso.

O principal acusado (48 anos de idade) do caso que serviu de gancho para a análise tinha 10 anos de relação profissional com a loja, onde fazia serviços elétricos. Para evitar a identificação, ele decidiu matar toda a família. Mas exagerou na maldade: trancou os três e mais a gerente da loja no carro e o incendiou. A gerente sobreviveu, mas teve queimaduras graves. Ainda assim, reconheceu o criminoso.

Esta participação de conhecidos tem me chamado bastante a atenção, tanto nos casos divulgados pela imprensa quanto nos assaltos que envolvem parentes, amigos e conhecidos. Infelizmente é uma ocorrência tão comum que só posso dar um conselho a todos: discrição nos atos que envolvam exposição de dinheiro ou bens, ainda que isto implique em maior distanciamento com as pessoas.

Na empresa é essencial não dar chance, não dar mole. Depositar o máximo possivel de dinheiro no banco é essencial. Evitar as rotinas, os horários rígidos para as tarefas cotidianas, também é importante.

Quando o informante do criminoso apenas faz o trabalho de “agenciar” o assalto, as perdas geralmente são apenas materiais. Mas quando cria coragem e resolve participar ativamente, como no caso de Bragança Paulista, ele se defronta com um problema: pode ser identificado. Aí apela para a queima de arquivo.

(Publicado originalmente em 18/12/2006 no meu blog http://marcio.avila.blog.uol.com.br)

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