Veríssimo está desanimado de remar contra a corrente do estrangeirismo na língua portuguesa

Na sua coluna semanal publicada n’O Estado de São Paulo no dia do trabalhador (01/05/11), Luís Fernando Veríssimo, o filho da estrela-maior Érico, aproveitou para escrever sobre o tema do anglicismo e a colonização cultural.

Tema sempre caro para sociolinguistas e assemelhados.

Extraí os trechos abaixo:

O nome da montanha mais alta do mundo, […] “Everest”, o nome oficial, vem de sir George Everest, líder da excursão inglesa que mapeou a região no século 19.

Agora que se volta a falar em legislar sobre o uso de estrangeirismos na nossa língua é bom lembrar que quem escolhe o nome das coisas é quem tem o poder para isso, não necessariamente o direito. O primeiro homem a enxergar o novo mundo foi Rodrigo de Taina, vigia na “Pinta”. Ele teria direito ao prêmio prometido por Cristóvão Colombo a quem visse terra primeiro. Mas o comandante alegou que ele, Colombo, vira antes uma luminosidade que emanava da terra e assim pressentira a presença da América – que achava que fosse a Índia – antes que ela aparecesse. Colombo ficou com o prêmio e a glória porque, afinal, a ideia de chegar ao Oriente pelo Ocidente era dele, e por que a História era dos homens predestinados como ele. Dos que tinham o poder de dar nome às coisas, não dos insignificantes Rodrigos de Taina do mundo. Quando Portugal e Espanha assinaram o Tratado das Tordesilhas, fizeram como Colombo: se apossaram de terras antes de vê-las. Começaram colonizando uma hipótese.

[…] o domínio […] deve acabar. Porém, ai porém: acontece o contrário, a invasão aumenta. Tentar legislar contra esse tsunami é uma batalha perdida. Tem gente demais que confunde colonizado não com submisso mas com moderno. E dê-lhe “sale” em vez de liquidação e “delivery” em vez de entrega. A única coisa a fazer é esperar que, em algum momento, deem-se conta do ridículo.”

Tenho outra sugestão, além de esperar que deem-se conta do ridículo: escrever e divulgar bastante sobre o absurdo da colonização cultural para constranger os que acham inteligente batizar o filho de Anthony Edward da Silva, a loja de Sunday Flowers, apresentar um “case” na reunião de marketing ou pedir um “help” para o guru de plantão no departamento de informática.

Para acesso ao inteiro teor do texto, CliqueAqui.

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