Daniel Piza afirma que o socialismo cubano está no início do fim

Mudar para não mudar. Ou, mais exatamente: pequenas mudanças para não ser tragado por grandes mudanças.

Assim foi o mais recente congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC), realizado em meados de abril deste 2011.

Transcrevo abaixo a análise do colunista e editor do Estadão Daniel Piza, publicada na coluna de 1º de maio de 2011 sob o intertítulo La isla perdida.

Por coincidência, sua análise saiu no dia mundialmente dedicado aos trabalhadores, a classe idealizada e ideologizada pelos regimes comunistas:

Raúl Castro aprovou mais um projeto de reformas, que inclui abertura ao setor privado, corte de subsídios e descentralização estatal. A compra e venda de casa por particulares também foi aprovada, e Fidel Castro deixou o comando do Partido Comunista. Estive em Cuba em 2000 e vi claramente a existência de dois mundos, o da fantasia revolucionária – que é comum ouvir dizer que apresenta estatísticas boas de saúde e educação, mas a educação é ideológica e os dados não são críveis – e o da realidade, com carência de produtos, em que o turismo se torna a única alternativa para muita gente, regido em dólares. O congresso também quer terminar com esse câmbio duplo e “levar em conta as tendências do mercado”. Há muitas e muitas dúvidas sobre o futuro, mas aí está: é o início do fim do socialismo cubano.

As dúvidas são sobre o modelo que querem adotar. Estariam pensando numa “linha chinesa”, ou seja, num capitalismo dirigido, com um partido político único e pouca liberdade de expressão? Mas os chineses têm uma população e um país enormes e uma cultura asiática de disciplina, de esforço nos estudos e firmeza nos negócios, a ponto de agora buscarem a geração de tecnologia e não mais a “maquiatura” de produtos alheios. Cuba é uma ilha de belezas tropicais e descontração musical, na qual o turismo será mais e mais a principal fonte de renda. O povo, apesar da lavagem cerebral que a propaganda e a repressão exerceram por 50 anos, pode muito bem querer mais liberdades civis e políticas, uma democracia ao estilo ocidental. Vamos aguardar os próximos capítulos, mas algo me diz que o gradualismo de Raúl pode não conter tudo.”

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