Ministro da Justiça, oportunista, quer fazer nova campanha de desarmamento

Os governantes brasileiros jamais perdem a oportunidade de, após cada tragédia noticiada por toda a mídia, anunciar soluções.

No caso da chacina do Realengo (Rio, 07/04/11, 12 crianças mortas e outras 12 feridas a bala) parecia difícil encontrar uma medida preventiva, pois loucos são imprevisíveis.

E a lei do desarmamento já existe.

Mas imaginação de político é fértil, e o Ministro da Justiça José Eduardo Martins Cardoso anunciou na segunda-feira, 11, primeiro dia útil após o crime, que “o governo decidiu retomar a campanha do desarmamento”.

Informa no mesmo dia o Jornal Hoje, da TV Globo: “A ideia é transformar a campanha em uma política permanente de desarmamento. Para estimular a entrega de armas o governo quer encurtar o prazo de pagamento de indenizações, que pode demorar até três meses.”.

Acrescenta que “o governo também quer apresentar um projeto para restringir mais o porte de armas, ao contrário das muitas propostas em discussão no Congresso”.

E encerrou com uma ideia charmosa, modernosa, mas absurda: “O governo mandou que fizesse estudos para verificar a viabilidade de as armas saírem de fábrica com chip. “Há uma discussão técnica sobre a viabilidade de se colocar chip nas armas, o que permitiria que uma arma pudesse ser sempre identificada na sua origem. O velho expediente de raspar o número de série, obviamente, não eliminaria a possibilidade de saber qual é e a quem pertenceu. Se for factível, vamos defender essa ação”, disse Martins Cardoso.”

É absurda porque: 1º) depende da tecnologia dos poucos fabricantes nacionais; 2º) a lei do desarmamento reduziu drasticamente a fabricação e distribuição de armas novas, o que torna pequeno o percentual atingido pela ideia.

Só queria ganhar espaço na mídia.

A triste verdade é que, periodicamente, pessoas psicológica e socialmente desajustadas produzirão casos como o do Realengo.

E, numa sociedade desorganizada e heterogênea como a brasileira, loucos como Wellington sempre encontrarão, em algum lugar, munição real para exteriorizar seus piores sentimentos e frustrações, seus sonhos de notoriedade, e as expulsões de velhos fantasmas.

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