O jornalista norte-americano Mac Margolis e a incoerência dos líderes políticos da América do Sul

O jornalista norte-americano Mac Margolis tem uma história semelhante à do compatriota Larry Rohter: enviado para o Brasil como correspondente, fincou raízes por décadas, casou-se com uma brasileira, teve uma filha também brasileira.

Mac mora no Rio desde a década de 1980 e é correspondente da revista semanal Newsweek.

Embora classificado como admirador do PSDB em matéria publicada por Argemiro Ferreira no Observatório da Imprensa (“O neoliberal anti-Lula”, que pode ser acessada clicando aqui), ele não sofreu perseguições do PT, como aconteceu com Rohter, que quase foi expulso do Brasil por ter publicado no New York Times o que todos sabiam: Lula tem problemas com alcoolismo (o então Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos eufemisticamente “determinou o cancelamento do visto temporário” e depois voltou atrás).

Margolis escreve sobre toda a América do Sul, e no artigo publicado pelo O Estado de São Paulo de ontem (03/04/2011) analisou a incoerência dos líderes políticos/populistas regionais, principalmente a falsa democracia com a mídia independente.

Selecionei os seguintes trechos do artigo de Margolis:

Afinal, Chávez não é aquele que, em 2007, mandou tirar do ar a emissora mais popular do país, a RCTV, para depois encampar a rede Globovisión e afugentar seu dono, Guillermo Zuloaga, do país? E não foi ele que, com uma canetada, puxou a tomada de 34 estações de rádio só porque elas mantinham uma linha editorial distante de sua cartilha bolivariana?

Quando o Greenpeace inventou a “motosserra de ouro”, era antes de mais nada uma forma irônica e bem-humorada de chamar atenção para a ameaça ao meio ambiente. Blairo Maggi [ex-governador e atual senador por Mato Grosso] ganhou o troféu em 2006, não gostou e depois se redimiu, abraçando a causa verde. Se foi por vergonha, pressão cívica ou convicção pessoal, não se sabe. A ironia do Greenpeace, porém, teve seu mérito.

Assim, Chávez, que amordaça sua imprensa, transforma-se, na Argentina, em zelador da livre expressão com a bênção da presidente Cristina Kirchner, ela mesma empenhada em esmagar os jornais Clarín e La Nación. A autocracia sempre foi uma grande permuta.

(…) Daniel Ortega. Ex-guerrilheiro sandinista, o presidente nicaraguense anexou um naco de pântano da Costa Rica, brandindo uma versão fajuta do Google Maps – versão que foi desmentida pelo próprio Google.

No quesito da Contabilidade Criativa, é páreo duro, disputado avo por avo entre o Instituto Nacional de Estatística e Censo da Argentina (Indec) e o seu par venezuelano, com a mesma sigla. Ambos milagrosamente calculam a inflação de seus respectivos países em metade do índice de analistas de mercado.

Não é a primeira vez que um líder carismático latino usa o dom da palavra para cercear a dos outros. Juan Perón, o eterno caudilho argentino, subiu ao palanque e mandou fechar 110 jornais entre 1943 e 1946. Talvez nenhum dos seus discípulos de hoje chegue a tanto. No entanto, por se esforçarem, ganham uma estrelinha.”

Para acesso ao inteiro teor do texto, CliqueAqui.

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