A Cia. Vale do Rio Doce foi privatizada, mas o governo federal ainda tenta politizar os investimentos privados dela

O Partido dos Trabalhadores é um sério candidato ao título de campeão de mutação político-ideológica na história brasileira.

Quando virou governo, descumpriu todas as promessas e ignorou seus conhecidíssimos lemas.

A reação do eleitorado também foi campeã: comprovou que a memória é curta e acreditou na originalidade do grupo lulístico.

Na sua coluna semanal publicada ontem (27/03/2011) n’O Estado de São Paulo, a comentarista de economia Suely Caldas detalhou as velhas críticas petistas ao governo FHC:

Foi contra a Constituição de 1988, contra a eleição de Tancredo Neves, contra o Plano Real, contra o pagamento da dívida pública, contra as privatizações, contra o fim dos monopólios, contra as políticas monetária e cambial de FHC, contra o Proer, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra a reeleição, enfim contra tudo o que não vinha do PT.”

E a seguir detalhou a posterior gestão dos ex-críticos:

Ao chegar ao poder o partido tratou de esquecer os seus “contras” e renegou seus credos: não mudou uma vírgula na política econômica de FHC, que tanto combatera, não desfez as privatizações, respirou aliviado com o Proer, aprofundou o Plano Real, elevou juros, pagou e multiplicou a dívida pública, para alegria dos banqueiros, que tanto xingara no passado.”

A segunda parte do texto se concentrou numa crítica ao governo, por estar articulando a demissão do presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli.

A origem do fato, segundo a articulista:

Lula tentou e não conseguiu degolar Roger Agnelli desde a crise financeira de 2008, que levou a Vale a demitir funcionários. Por mais que as novas contratações na empresa tenham superado as demissões, alguns meses depois, Lula persistiu na degola porque a direção da Vale se recusou a instalar usinas siderúrgicas em Estados governados pelo PT e onde não fazia nenhum sentido econômico construí-las.“.

A atuação interesseira do governo só é possível porque a União tem expressiva participação acionária na CVRD, que muitos imaginavam ter sido inteiramente privatizada pelo governo tucano.

Ainda circulam largamente na internet as mensagens supostamente nacionalistas que comparam esta privatização a um crime do tipo lesa-pátria; algumas, bem duras, chamam FHC de entreguista por ter, supostamente, vendido barato a joia das antigas estatais.

Nos dias atuais, a CVRD provavelmente rende mais dinheiro aos cofres públicos (com a indispensável correção monetária) do que nos últimos anos em que era exclusivamente estatal.

Esta matemática merece uma boa reportagem da mídia; se já foi feita, eu gostaria de conhecê-la.

Para acesso ao inteiro teor do texto de Suely Caldas, CliqueAqui.

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