Mesas compartilhadas por desconhecidos criam constrangimento nas praças de alimentação

O fast-food, e posteriormente o self-service sem balança (quanto english!) criaram uma novidade para as refeições: as mesas compartilhadas por desconhecidos.

Até então, a tradição dos restaurantes era a mesa individual ou destinada a um grupo de pessoas que se conheciam.

Criou-se um problema, pois as pessoas ficam constrangidas em sentar numa mesa já ocupada por um desconhecido.

Não sabem se devem sentar, se não devem, se pedem licença, se não pedem…

Isso tem acontecido com frequência nos shopping centers, onde as praças de alimentação são comuns a vários restaurantes e lanchonetes.

Atentos ao problema, os administradores estão adicionando mesas grandes e compridas, semelhantes às de refeitórios.

E também algumas com aparência de bancada: mais altas, com um lado único, propícias a um alimento rápido.

Meu caso mais marcante sobre isso aconteceu em Curitiba, Paraná, no final da década de 90, no Shopping Müeller.

Eu havia deixado o hotel com uma mala e uma sacola e passei por lá para jantar, mas a praça de alimentação estava bem cheia e só encontrei um lugar vago numa mesa pequena, ocupada por uma moça.

Pedi licença para me sentar; ela não negou nem assentiu, deixou no ar uma leve expressão de contrariedade.

Sem opções, deixei as sacolas e fui buscar o prato; após o retorno, outra mesa ficou vaga por perto e a incomodada se mudou, levando o prato, o egoísmo e o mau-humor.

Minha vingança sará malígrina, como diria o personagem Bento Carneiro, do infelizmente adoentado Chico Anysio: fiz questão de oferecer imediatamente o lugar para um cliente que perambulava com o prato na mão, procurando mesa.

Ela viu…

E ainda deu tempo de repetir o gesto com outro cliente antes que ela fosse embora.

Alguns dias depois contei o caso para uma colega de escola, paranaense-curitibana, e pedi uma opinião: ela não me apoiou, considerou que se tratava de uma questão de privacidade.

Nos anos seguintes viajei algumas vezes para Europa e Estados Unidos e observei que a praxe internacional é considerar tais mesas como coletivas.

No máximo, quem está chegando pede licença, mas não uma autorização.

Novos tempos e globalização são fatores que influenciam nas mudanças de comportamentos.

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