O Anel Rodoviário de Belo Horizonte e seus fantasmas produzidos por motoristas irresponsáveis

O grande foco de acidentes automobilísticos do município de Belo Horizonte é o Anel Rodoviário.

Foi construído a partir da década de 1950 e inaugurado em 1963 (há divergências na internet sobre esta última data).

Sua finalidade é interligar rodovias dispensando o motorista de passar pela região central da capital mineira.

Por ser Belo Horizonte uma cidade montanhosa, o anel inclui vários pequenos viadutos.

Ao longo dos anos a pista foi alargada, mas os viadutos continuaram do tamanho original e se tornaram menores do que ela e, em consequência, pontos de estrangulamento.

E o crescimento acentuado da cidade transformou o anel numa via de acesso a vários bairros, com grande fluxo de automóveis.

Acrescente-se que, pelas suas características de interligação rodoviária, é uma pista com grande movimento de caminhões.

O noticiário de acidentes virou rotina e, sempre que eles ocorrem, a mídia abre microfones para o público revoltado clamando por soluções; as autoridades rapidamente respondem com reuniões, projetos e promessas.

As estatísticas apontam 39 mortos em 2010 e na última sexta-feira de janeiro de 2011 ocorreu um grave acidente com cinco mortos em dezesseis veículos atingidos.

O vídeo de uma câmera de rua indicou a total culpa do motorista de uma carreta, Leonardo Faria Hilário, de 24 anos.

Ele já vinha em alta velocidade na pista da esquerda, o que é proibido naquele local; entrou numa curva que estava com o tráfego parado e bateu a 115 quilômetros por hora na traseira de outra carreta, lançada barranco abaixo.

O motorista desta morreu imediatamente.

Após a exibição do vídeo, uma rede de tevê entrevistou um militar de alta patente que afirmou enfaticamente que o motorista imprudente já estava monitorado pelo seu “eficiente” sistema de câmeras e que uma viatura já havia partido atrás dele, mas não o alcançou a tempo.

Será que mentiu descaradamente para fazer publicidade a favor de seu órgão-contratador-patrão?

Sugestões para resolver o problema não faltaram nas reportagens sobre o acidente; sou apenas um observador não-especialista, mas tenho uma visão pessimista e cética.

Creio que, em uma sociedade confusa como a nossa, as medidas possíveis podem até reduzir os índices mas não resolverão o problema.

O grande fluxo, o circuito tortuoso, a topografia desfavorável e a ligação com rodovias criam um risco inevitável.

Atos irresponsáveis de motoristas ou dos donos dos caminhões (por falha na manutenção) sempre causarão acidentes terríveis.

E o número de pessoas com este perfil é muito grande em nosso país.

Deixam a sensação de que o número de acidentes prováveis é muito maior que o dos realmente acontecidos; e que existe um anjo protetor dos motoristas normais, pois a quantidade de motoristas loucos é de assombrar.

Um anjo que, infelizmente para muitas famílias, às vezes cochila.

Na imagem acima, capturada de um vídeo da TV Globo, pode ser vista a carreta (escura) fazendo a ultrapassagem pela esquerda, antes da árvore central. Poucas dezenas de metros depois causará o acidente. O vídeo, extraído de um telejornal da Globominas, pode ser acessado clicandoaqui.

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