Os 14 erros da política externa de Bush

Por estranho que pareça, vende (nos EUA) como água o livro de memórias “Decision Points” de George Walker Bush, o controvertido ex-presidente.

Em homenagem — ou mera referência — à divisão da obra em 14 capítulos, um professor de Relações Internacionais da Universidade de Harvard, Stephen M. Walt, escreveu o artigo “Os 14 erros da política externa de Bush”, publicado no Foreign Policy.

Selecionei um trecho curto de cada “erro” (e optei por transcrever o último na íntegra):

1. Bush escolheu Dick Cheney como candidato a vice-presidente.

2. No primeiro ano de sua presidência, Bush tomou a medida inusitada de retirar a assinatura dos EUA da convenção que criara um Tribunal Penal Internacional.

3. […] em vez de admitir a necessidade de resolver a questão do aquecimento global e de elaborar uma estratégia melhor para o problema, Bush simplesmente rejeitou a ideia de um tratado desse tipo [Protocolo de Kyoto].

4. Bush não prestou muita atenção ao terrorismo ou à Al-Qaeda durante a campanha de 2000.

5. A declaração de uma “guerra ao terror” conferiu também a Osama Bin Laden um status mais elevado do que ele merecia.

6. Houve uso sistemático da tortura, suspensão do habeas corpus, [… ] assassinatos pontuais e prisão por tempo indefinido, sem julgamento.

7. […] “eixo do mal”. Esta estúpida linguagem bombástica frustrou toda possibilidade de construir um relacionamento melhor com o Irã.

8. O Iraque foi um erro de magnitude tão colossal que é fácil esquecer todos os inúmeros erros menores que o constituem, como a alegação da existência de armas de destruição em massa, que nunca existiram.

9. […] em abril de 2003, o Irã preocupado enviou um intermediário suíço a Washington com a oferta de um “acordo abrangente”. Bush simplesmente rejeitou a oferta.

10. Até o final de sua presidência, a diplomacia de Bush no Oriente Médio consistiu de uma série de gestos essencialmente insignificantes, os mais notáveis deles o chamado “mapa da estrada” de 2003 e a Cúpula de Annapolis, em 2007.

11. A desastrada reação de Bush ao furacão Katrina foi uma insanidade.

12. Quando ficou evidente que o Iraque não tinha armas de destruição em massa, Bush tentou justificar a invasão como parte de uma campanha de instalação da democracia no Oriente Médio.

13. Bush ameaçou os possíveis autores da proliferação nuclear com sanções e mudança de regime e se recusou a manter conversações com eles enquanto não cumprissem as exigências americanas. Esta estratégia forneceu à Coreia do Norte e ao Irã um poderoso incentivo para que eles se dotassem de um elemento de dissuasão nuclear a fim de se proteger dos EUA.

14. Reduzindo os impostos enquanto custeava guerras dispendiosas, Bush produziu déficits fiscais praticamente recordes e uma montanha de dívidas externas. Ao mesmo tempo, a política do crédito fácil encorajou uma enorme bolha imobiliária que acabou estourando em 2008. Ele era o presidente quando tudo isso aconteceu.

Para acesso ao artigo traduzido e publicado n’O Estado de São Paulo de 14/11/2010, CliqueAqui.

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