Erro de tática dos criminosos provocou a invasão policial aos morros cariocas

Dia 21 de novembro de 2010. Criminosos param carros e ônibus no Rio de Janeiro e cometem atos de vandalismo semelhantes e simultâneos, portanto combinados: incendeiam os veículos com combustível que haviam levado. Cometem outros atentados semelhantes nos dias seguintes, inclusive tiros contra cabines policiais.

Mas a sociedade ficou com uma dívida de gratidão com os criminosos.

Contraditório? Não, porque o Estado brasileiro é rápido e eficaz sob pressão e sob comoção popular; só é fraco e lento na administração do cotidiano.

A reação oficial foi dura: invasão à vila Cruzeiro e ao Complexo do Alemão, apontados como os principais redutos do tráfico.

O governo não podia esperar um resultado melhor: encontrou toneladas de drogas e armas, não registrou baixas entre os soldados nem comprovação de vítimas entre civis inocentes.

Origem de tudo, a ação incendiária dos criminosos havia causado impacto mas, aparentemente, só produzira danos materiais, cobertos (em sua maioria) pelas seguradoras.

Bem inferior ao resultado da reação que, além do recolhimento de muitas armas e drogas dos criminosos, conseguiu também dois ótimos efeitos públicos: ânimo para a população e desânimo no mundo do crime.

Entre especialistas, predomina a tese de que a tática criminosa de incendiar os carros foi arquitetada e ordenada pelos líderes presos na penitenciária de Catanduvas, Paraná, que as transmitiram para suas mulheres (nas visitas íntimas) e para advogados.

Mas erraram na dose.

Eles esperavam enfraquecer, pela chantagem violenta, a tática judiciária de transferir alguns condenados (como eles) para penitenciárias distantes do local de origem, com o objetivo de dificultar seus contatos pessoais.

Este jogo de ações e reações guarda semelhança com o caso do PCC em São Paulo, em 12 de maio de 2006.

Os traficantes liderados por Marcos Camacho, o Marcola, foram mais sangrentos: mataram dezenas de pessoas, principalmente policiais e agentes penitenciários.

Ainda não vi uma boa reportagem sobre todas as consequências, mas aparentemente não ganharam privilégios, que era o objetivo da ação.

No caso do PCC, a reação do Estado foi descentralizada, localizada nos executores da ordem; parece que foi eficiente, já que aquela organização criminosa não ousou realizar outra ação semelhante.

Para sorte do restante da sociedade, os criminosos não leem livros de história, de sociologia nem sobre táticas de guerra.

Se lessem, iam descobrir que chantagens e demonstrações de força precisam levar em consideração a capacidade de reação do oponente.

E, no caso de confronto com o Poder Público, deveriam levar em conta que só os atos de impacto, como assassinatos em massa e os incêndios múltiplos de automóveis, são capazes de movimentar a pesada máquina governamental.

É quando a sociedade agradece a oportunidade.

Para ilustrar o comentário, republico esta charge do excelente mineiro Duke, publicada no jornal Super Notícias, diário popular de Belo Horizonte e da região metropolitana (é sediado em Betim). Para acesso ao site pessoal de Duke (Eduardo dos Reis Evangelista, nascido em 1973), digite http://www.dukechargista.com.br.

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