O canudo universitário está virando sonho e obsessão no seio do povo brasileiro

Em minhas pesquisas históricas, especialmente na área de genealogia, observo que em passado não muito longínquo havia uma carência extrema de profissionais de nível universitário.

Hoje a situação se inverteu: há excesso de universitários — muito acima da necessidade da sociedade e da economia — e uma carência de profissionais de nível médio, os técnicos.

Mais uma distorção num país que consegue a tudo distorcer.

Aproveitando o mote das irregularidades na prova do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, que o governo Lula transformou em porta de entrada para a universidade, o articulista de O Globo Luiz Garcia escreveu em 12/11/2010 um texto com o título de O canudo e o sonho.

Destaco abaixo o parágrafo de abertura e os dois que fecham, criticando fortemente a supervalorização social do ensino universitário.

“Comecemos batendo pesado: uma escola superior, se há de ser fiel ao adjetivo, é reservada para uma minoria de bem-dotados. O que pode ser odioso, se estamos falando de dotes financeiros. Mas perfeitamente aceitável, se a referência for a mérito acadêmico. Seja como for, vale a pena não esquecer que, diferentemente da educação básica, a universidade não é para todos. Em país nenhum.

[..]

O acesso a um curso universitário — apesar do nível lastimável de um número considerável deles, principalmente na iniciativa particular — é, para um grande número de jovens, o grande pulo para a frente. Não precisava, talvez, ser assim. Nos sonhos da juventude nacional, o que parece existir é uma alternativa rígida: a universidade é o sucesso, qualquer outra alternativa é o fracasso. Por quê? No resto do mundo, não é assim. Ganhar o canudo pode ser o sonho legítimo de muita gente, e ainda bem que é assim. Mas não precisa ser a aspiração inevitável e inescapável de todo mundo.

Além disso, se o Enem não tivesse sido transformado em supervestibular, quem sabe, não seria tão ridiculamente sujeito a fraudes ou trapalhadas. Como este ano.”

Normalmente fecho estes recortes de matérias publicadas na imprensa com um link para o texto original, mas neste caso vou abrir uma exceção pois, apesar de bem pertinentes os trechos transcritos, o miolo do texto não saiu de um momento especial de inspiração do grande redator jornalístico que é Luiz Garcia.

Quem quiser assim mesmo, o Google é o caminho fácil.

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