Lula autorizou a aplicação de quase 1 bilhão de dinheiro público no Banco Panamericano

A “egocêntrica” revista Veja escreveu, pouco antes das últimas eleições, que os políticos ficam à espera de cada edição semanal, com medo de algum fato novo que possa afetar o eleitorado.

E aconteceu em 2010: o escândalo Erenice Guerra pode ter sido o fator que levou a eleição presidencial para o segundo turno, segundo palavras do próprio João Santana, o marqueteiro de Dilma Rousseff.

Muita gente que provavelmente optaria por ela a trocou, à última hora, pela ex-petista Marina Silva.

Não é que tenha sido a Veja a descobridora do escândalo, mas atacou com dureza e é uma publicação que atinge grande público.

E a situação teria sido pior se o grupo de Lula não tivesse conseguido esconder a aula de incompetência e corrupção que foi a administração da crise do Banco Panamericano.

Crise que estourou a portas fechadas, sem conhecimento sequer dos especialistas, no mês de setembro (as eleições foram em outubro).

Atrasada, como toda a nação, a jornalista e comentarista de economia Suely Caldas levantou a seguinte cronologia da crise em seu artigo “Dúvidas entre o público e o privado”, publicado na edição de 14/11/2010 de O Estado de São Paulo:

Em 8/9/2010 o Banco Central comunicou ao Panamericano ter identificado fraudes na fiscalização.Suely acrescentou que, passado o primeiro turno, “em 13/10/2010 o controlador Silvio Santos informa ao BC que negocia empréstimo com o FGC”, mas o assunto continuou fora do noticiário antes da disputa final com José Serra.

A grande falha do governo Lula, por incompetência ou corrupção, ocorreu na verdade um ano antes, através da “Caixa Econômica Federal, que em 2009 injetou R$ 739,2 milhões na compra de 49% das ações do capital votante, sem ali colocar um único diretor para fiscalizar o sócio privado” (mesma fonte).

A analista fez várias observações e indagações pertinentes:

Aí começam as dúvidas e suspeitas de conluio entre o público e o privado. Até que a Caixa venha a público dar explicações convincentes, os brasileiros e donos de seu capital têm direito a duvidar e indagar: afinal, qual estratégia de negócios justifica colocar tanto dinheiro num banco médio que não faz operações típicas de interesse e expertise da Caixa? Note-se que a estatal não se limitou a comprar carteiras de crédito como autorizou o governo na travessia da crise financeira. Quase adquiriu o controle acionário, o limite máximo (49% das ações) para não estatizar o Panamericano. Por quê? Negócio lucrativo? Socorro disfarçado?”

Este foi o episódio mais grave de toda esta querela: aplicar 732 milhões de reais de dinheiro público recolhido da população através de impostos em um banco privado com graves problemas de administração e caixa.

Também impressiona a informação da analista sobre a inexistência de representantes do Banco Central na administração dos 49% que passaram à propriedade da CEF; imagino que a irresponsabilidade talvez tenha sido uma opção de marketing para evitar boatarias e desconfianças.

Ou para comprar a ativa participação de Sílvio Santos na campanha eleitoral da Srª Rousseff, que naquele momento já era a candidata escolhida por Lula, o Rei da Popularidade.

Agora o mercado financeiro tenta salvar o Panamericano com dinheiro privado, conforme explica Suely Caldas na parte inicial da matéria:

“[…] o empréstimo de R$ 2,5 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao Grupo Silvio Santos não envolve recursos públicos. Criado em 1995 com dinheiro de bancos, justamente para dar solução privada, e não pública, de socorro a instituições financeiras em dificuldades, o FGC não chegou a ser usado nos anos 90, porque ainda não havia acumulado capital suficiente para cobrir a onda de quebradeira de bancos que se seguiu à queda brusca da inflação. Patrimônio reunido em 15 anos, foi possível agora ao fundo cumprir seu objetivo pela primeira vez. Assim, o BC agiu corretamente ao induzir o Grupo Silvio Santos a negociar um empréstimo com o FGC: evitou aplicar dinheiro público num banco privado que praticou fraudes.“

Este fundo foi um dos mais eficientes trabalhos do governo FHC e levou em consideração os prejuízos aos cofres públicos e/ou à credibilidade bancária causados pelas quebras dos bancos Econômico, Nacional, Bamerindus, Noroeste e outros menores.

O sistema começou com o Proer, duramente atacado por Lula e outros líderes petistas.

Este programa, extinto em 2001, até tinha dinheiro público, mas não havia outra saída pois o fundo levou anos para se capitalizar, como explicou a jornalista citada.

Para acesso ao teor inteiro do artigo citado, CliqueAqui.

Em 14/9/2010 o banco pediu ao BC tempo para uma resposta detalhada.

Em 22/9/2010 a direção do banco reconheceu a inconsistência de seus balanços e pediu prazo para entregar documentos. Neste mesmo dia 22/9 Silvio Santos foi recebido pelo presidente Lula, no Palácio do Planalto, em audiência-surpresa e não agendada previamente”.

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