O atendimento prioritário está criando confusão e constrangimento para o atendente

Esta aconteceu comigo, dia 10 de janeiro deste 2008, na fila de pagamento de compras das Lojas Americanas.

Um homem de pouco mais de 40 anos passou por toda a longa fila e foi direto para o caixa que estava iniciando o meu atendimento.

Perguntou à funcionária se havia uma entrada especial para ele pois tinha direito a atendimento prioritário e naquele local “as pessoas estão achando que eu furei a fila”.

A caixa, atenciosamente, disse que ele deveria aguardar no ponto de saída.

Ele realmente foi chamado rapidamente pelo primeiro caixa livre; como o meu atendimento foi mais lento, tive a oportunidade de perguntar à funcionária que o atendeu qual era a deficiência que lhe garantia tal direito.

A resposta surpreendeu: “Ele me falou que tinha uma autorização, mas não mostrou”.

E a “minha caixa” completou: “Esta situação é muito delicada pra gente, ficamos sem saber o que fazer.”

Para não constranger mais os funcionários – afinal, a malandragem já tinha ocorrido – eu disse que entendia a posição deles.

Mesmo achando que deveriam, pelo menos, cobrar o tal documento.

Este caso foi uma oportunidade para perceber as reações de medo e confusão geradas pela profusão de leis municipais, estaduais e federais criando prioridades de atendimento para idosos, grávidas, deficientes, crianças.

Sem falar dos casos específicos de funcionários daquele setor, policiais, autoridades, responsáveis por emergência, etc.

Com medo das penas da lei, os funcionários de atendimento dão preferência a qualquer um que se apresente como “preferencial”.

Triste a sina da sociedade que precisa legislar até sobre o detalhe do detalhe do detalhe para tentar obter um mínimo de respeito e cooperação humanos.

E até criar novas distorções, antes inexistentes, além de constrangimentos e desconfianças.

Fico a imaginar uma situação burlesca em que dezenas de pessoas pedem atendimento prioritário a um único funcionário.

Quando ele começa a atender um, outro exige a preferência e passa-lhe à frente.

Quando está atendendo o outro, vem o terceiro e também passa-lhe à frente.

E assim do quarto até o último, voltando ao primeiro, que re-reinvidica os direitos.

Num ciclo interminável.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: