Jovens procuram a auto-afirmação repetindo comportamentos animalescos

Como o blogueiro escreve para si e para outros poucos, como o blog não é um meio de comunicação de massa, corro poucos riscos de impopularidade ao criticar a juventude.

Que, infelizmente, muito faz por merecer.

Juventude é o momento de afirmar-se como pessoa, mas usando comportamentos animalescos, copiados da cultura irracional do selvagem.

Juventude é o momento de corrigir o mundo, mas usando técnicas retrógradas.

Juventude é o momento de glorificar a renovação do ser humano, renegando valores e personagens do passado.

E juventude também é o momento do esquecimento da inevitável regra da vida que transformará todo jovem em velho, em um inadiável dia.

O noticiário jornalístico lança fatos confirmadores a cada dia e em cada veículo, alguns de impacto como os trotes de calouros e as humilhações impostas às tradicionais vítimas de preconceitos.

Quando acontecem no meio universitário o impacto se exacerba, pois é nele que assuntos assemelhados são — ou deveriam ser — analisados e criticados.

Em 2009 o caso mais conhecido aconteceu nos corredores da universidade Uniban, em São Bernardo do Campo (SP): a estudante Geizy Arruda foi hostilizada por dezenas e centenas de colegas por usar um minivestido rosa; e depois foi expulsa da escola.

Uma das consequências tem pouca importância sociológica mas merece citação pela curiosidade e pelos costumes: a ofendida abandonou o curso e tornou-se uma profissional da celebridade, sobrevive às custas de aparecer em programas de futilidades da tevê.

Como tais casos de preconceito e desrespeito se repetem, o mais recente é o deprimente Rodeio das Gordas; também a título de recapitulação transcrevo o resumo redigido pelo psicanalista Renato Mezan: “Segundo os jornais, tratava-se de agarrar uma jovem gorda e prendê-la nos braços ou mesmo montar nas costas dela, como se faz com os animais num rodeio. A coisa tinha o sentido de uma competição: o tempo seria cronometrado, e prêmios atribuídos aos “bravos toureiros” que conseguissem se manter no dorso da “gorda bandida” por mais segundos.“

Mezan analisa a animalidade e o machismo de atitudes assemelhadas, e destaca o processo de criminalização contemporânea:

Para entendermos o Rodeio de Gorda outro aspecto deve ser levado em conta: a crescente limitação dos meios socialmente aceitos para o exercício da agressividade. Já não se podem fazer coisas que nossos avós consideravam inócuas (por exemplo a chacota em relação a deficiências corporais, formas de humor grosseiras ou obscenas), úteis (castigo físico em crianças, humilhação dos alunos “burros”) ou necessárias (recusa de direitos a minorias sexuais em nome da moral). Não há como negar que isso constitui um progresso […]

E acrescenta:

Nas sociedades humanas, o controle da violência se dá por mecanismos de vários tipos: medo do castigo em caso de transgressão, interiorização das normas, instituição de práticas que permitem o escoamento dela de modo relativamente inofensivo (por exemplo, o esporte).

Para acesso ao artigo intitulado Humilhadas e ofendidas: o rodeio de Araraquara, CliqueAqui.

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