A mídia está constrangida em falar da vida privada de Eliza Samudio, a “amiguinha” do goleiro Bruno que sumiu

A descoberta de que Eliza Samudio, a desaparecida ex-namorada do jogador Bruno, levava uma vida moralmente condenada pela sociedade — embora não criminosa — está criando alguns constrangimentos na mídia.

O primeiro é a relação dela com Bruno: a opção mais frequente é se referir a ela como “ex-namorada”, que não pode ser considerada a qualificação mais apropriada, inclusive porque ele já estava casado na época.

O segundo constrangimento é quanto à ocupação: as opções mais freqüentes são “estudante” e “modelo”. Nada li sobre o curso que ela estaria prestando e garanto que as autênticas modelos já estão preocupadas com a comparação, com a equivalência. A biografia recente indica que Eliza era uma desempregada, uma palavra evitada por carregar conotação negativa. Na redação de textos jornalísticos a questão da ocupação é importante, pois é quase uma regra o uso de substitutivos do nome próprio para evitar repetições.

O terceiro constrangimento se refere ao passado, ao comportamento da moça. Encontrei na internet informações de sua participação em um filme pornográfico (ela teria sido identificada por uma semelhança de tatuagens) e um vídeo caseiro em que se derrama de amores por jogadores de futebol. E assume relações íntimas com vários deles.

Observo que a mídia está insegura quanto ao uso destas informações. Uma exceção foi o apresentador Carlos Viana, que falou no microfone da Rádio Itatiaia de Belo Horizonte, salvo engano no dia 1º de julho (no programa de seu colega Eduardo Costa) que ela era “garota de programa”.

Existe um receio, obviamente razoável, da confusão entre o passado dela e o ainda suposto crime, medo de que seu comportamento faça com que parte da sociedade justifique o fim que ela parece ter tido (o corpo ainda não havia aparecido quando estas linhas foram escritas).

Para prevenir e evitar tal distorção é importante que fatos e críticas sejam apresentados com cuidado e responsabilidade.

Cabe a cada veículo conhecer o seu público para escolher a abordagem adequada, mas esconder a verdade é um ato inútil em tempos de rede mundial de informações.

Um site da internet publicou o link para o filme “Até que enfim anal”, no qual ela teria participando usando o pseudônimo de Fernanda Faria, e também abriu um espaço para os leitores.

Entre os comentários sérios, observei que é frequente a atitude radical de condenar a divulgação de todos os fatos pessoais que sejam negativos ou socialmente imorais; uma defesa radical do direito à privacidade.

Infelizmente, muita gente não consegue compreender que a censura sempre foi serva do totalitarismo e do poder ditatorial: a informação precisa ser livre, mas atrelada à responsabilidade.

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