A imagem é a chave da memorização (sobre o impacto do vídeo, maior influenciador da mídia…)

Nos meus tempos de juventude estava na moda um sistema audiovisual usado para aprimorar a memorização nos estudos da língua inglesa.

Eu me lembro de passar frequentemente em frente à Cultura Inglesa — uma tradicional escola linguística situada na rua da Bahia, em Belo Horizonte — e achava curioso o quadro que podia ser visto da calçada: estudantes com enormes fones de ouvido, tipo Mickey, separados por paredes laterais de vidro, olhando para a projeção de um slide contra a parede.

A mídia propagava, então, a teoria de que a visão é um sentido que se desenvolve precocemente e por isso tem profunda conexão com a memória: com base nesta premissa, que ainda tem boa aceitação, os educadores davam preferência às técnicas audiovisuais no ensino de línguas.

Nas últimas décadas a televisão, veículo audiovisual por excelência, assumiu a ponta da popularidade entre os meios de comunicação.

Os fatos mais marcantes do noticiário, os mais comentados e memorizados pelo público, são aqueles que chegam ao público acompanhados por fortes imagens de vídeo.

Sou de opinião que o falecido ex-deputado Sérgio Naya foi demolido pela opinião pública no dia que o Jornal Nacional transmitiu a gravação de uma sessão de uma câmara municipal no sul de Minas, quando e onde ele cometera a desatinada bravata de afirmar que já havia até falsificado uma assinatura do ex-governador Newton Cardoso em atos administrativos de seu interesse.

Depois apareceu outro vídeo em que ele zombava dos pobres numa conversa entre amigos, durante uma festa.

Certamente o episódio mais grave de sua carreira político-empresarial foi a queda do prédio Palace II, construído pela sua Construtora Sersan, mas entendo que o audiovisual é mais poderoso no inconsciente coletivo: a bravata e a zombaria produziram um sentimento popular de humilhação e revolta, principalmente quando mostrados e repetidos na mesma reportagem que também mostrava as vítimas do desabamento chorando ou velando seus mortos.

Não fosse por isso, a participação pessoal dele poderia ter passado despercebida: seus assessores de imprensa ajudariam com a distribuição de notas culpando falhas geológicas ou engenheiros da construtora.

Emblemático também foi o caso do ex-prefeito de Juiz de Fora, Carlos Alberto Bejani: a internet, uma nova e já poderosa mídia de vídeo, mostrou filmagens de acertos financeiros escusos entre ele e representantes de uma concessionária de transporte coletivo.

A televisão depois transmitiu também esta filmagem que, por ironia, foi copiada de alguns DVDs que a polícia encontrou na mesa de Bejani, em seu gabinete na prefeitura.

Mais recentemente, as gravações secretas em vídeo destruíram a carreira do então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.

Ele foi gravado pelo próprio assessor Durval Barbosa recebendo dinheiro provavelmente procedente de corrupção.

As redes de televisão conhecem tão bem a importância da imagem que vivem à cata de vídeos de impacto; aumentam o suspense usando o recurso de passar um pequeno trecho na apresentação do jornal (a “escalada”) e terminam cada bloco prometendo as imagens completas para “daqui a pouco”.

E os modernos, eficientes e rápidos métodos de medição dos índices de audiência sempre apresentam números altos no exato instante da transmissão das imagens fortes.

Como o custo publicitário é atrelado a estes índices, a imagem forte, de impacto, vale ouro.

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